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10 de janeiro de 2012

Padrões que reforçam

Olhando pra arte, a primeira impressão da pintura The Ambassadors de Hans Holbeins mostra um senso do todo: dois homens da aristocracia vestidos com roupas renascentistas se apoiando em uma prateleira como se fossem duas portas de um armário. Mas quando o espectador lê o resto da imagem, meta-histórias de partes de um todo se desdobram: um crucifixo cinza, instrumentos científicos, o alaúde com a corda quebrada e o famoso crânio desenhado em uma perspectiva anamórfica. Quando isso se aplica a comunicação contemporânea, padrões permitem você responder para seus clientes como parte da marca.

por Marc Shillum. Nesse texto ele defenda a ideia de criar padrões variáveis ao invés de repetições, marcas são mais que símbolos gráficos, pequenas ideias são mais valorosas e adaptáveis que tratamentos visuais.

16 de dezembro de 2011

O distúrbio da arte

Do jeito que a medicina e esses antidepressivos estão evoluindo, logo eles vão inventar um remédio que ninguém vai precisar mais de arte. Arte tem muito a ver com distúrbio. A minha arte é muito uma coisa patológica. Acho que arte tem muito disso, mas é muito necessária também para os perturbados. E, como falei, cada vez tem mais gente perturbada. Então, cada vez mais, a arte é mais importante para essas pessoas. A arte possibilita um diálogo, muito interno, muito silencioso. Mesmo que seja livro, filme, mesmo que tenha vozes, o dialogo é muito silencioso, muito interno. É muito fundamental. Se me tirassem os meus discos e os meus livros, eu não duraria muito. Acho que essas coisas são muito vitais. Caso isso acontecesse um dia, ia ficar todo mundo querendo trabalhar em banco e feliz com isso, feliz em pegar trânsito, feliz com a eleição. O povo ainda é muito zumbi, a minha esperança é que essa molecada acorde do transe. Tem uma massa muito zumbi aí, que a arte às vezes consegue tirar desse transe. É quando o cara pensa “acho que não é bem isso”, mas aí depois ele volta pro mundo zumbi dele. É isso, eu não tenho ilusão, esperança de mudar nada, mas também não acredito que as coisas sejam sempre o que elas são. É tudo muito transitório. Nenhum império dura muito. Para a nossa existência às vezes parece muito, mas está tudo transitando e se apagando. A gente não vai conseguir guardar muita coisa por muito tempo, se o planeta continuar. Mas sempre vão estar surgindo coisas.

por Lourenço Mutarelli em entrevista ao RioComicon

1 de dezembro de 2011

A ciência, as letras e as artes

Enquanto o governo e as leis suprem segurança e bem-estar aos homens reunidos, a ciência, as letras e as artes, menos despóticas e talvez mais poderosas, estendem guirlandas de flores sobre as cadeias de ferro que eles carregam, sufocam-lhes o sentimento da liberdade original para a qual pareciam ter nascido, fazem-nos amar a sua escravidão e formam o que chamamos de povos policiados.

A necessidade ergueu os tronos, as ciências e as artes os consolidaram. Poderosos da terra, amai os talentos, e protegei aqueles que os cultivam. Povos policiados, cultivai-os; felizes escravos, vós lhes deveis este gosto delicado e fino de que vos vangloriais, essa mansidão de caráter e essa urbanidade de costumes que tornam tão ameno e fácil o trato entre vós; em suma, a aparência de todas as virtudes, sem que se possua nenhuma delas.

J. J. Rousseau, em seu Discurso premiado de 1750

7 de novembro de 2011

O valor do inútil *

O artista é o criador de coisas belas. Revelar a arte e conciliar o artista é o objetivo da arte. O crítico é aquele que consegue traduzir de outro modo ou com um novo material sua impressão das coisas belas.

A maior como a menor forma de crítica é um modo de autobiografia. Aquele que acha significados feios em coisas belas são corruptos sem charme. Isso é uma falha.

Aqueles que acham significados belos em coisas belas são os cultivados. Para esse há esperança. São eles que elegem para quem as coisas belas significam apenas beleza.

Não existe nada como um livro moral ou imoral. Livros são bem escritos ou mal mal escritos. Isso é tudo.

O desgosto do século IXX pelo realismo é o ódio de Caliban † vendo sua própria face no espelho.

O desgosto do século IXX pelo romantismo é o ódio de Caliban não vendo sua própria face no espelho. A vida moral de um homem forma parte do assunto do artista, mas a moralidade da arte consiste no perfeito uso de um meio imperfeito. Nenhum artista deseja provar nada. Mesmo o que é verdade pode ser provado. Nenhum artista tem simpatias éticas. Uma simpatia ética em um artista é um maneirismo imperdoável. Nenhum artista deve ser mórbido. O artista pode expressar qualquer coisa. Pensamento e linguagem para o artista são instrumentos de uma arte. Vícios e virtudes são para o artista materiais de uma arte. Do ponto de vista da forma, o tipo de todas as artes é a arte do músico. Do ponto de vista do sentimento, o ofício do ator é o tipo. Toda arte é uma vez superfície e símbolo. Aqueles que vão além da superfície o fazem por seu próprio risco. Aqueles que lêem os símbolos o fazem por seu próprio risco. É o espectador, e não a vida que a arte imita. Diversidade de opiniões sobre um trabalho de arte mostra que o trabalho é novo, complexo e vital. Quando o crítico discorda, o artista está de acordo consigo mesmo. Nós podemos perdoar um homem por fazer algo útil enquanto não admira esse algo. A única desculpa para fazer algo inútil é que alguém a admira intensamente.

Toda arte é inútil.

Oscar Wilde, no prefácio de The Picture of Dorian Gray

* O título é meu, não do prefácio do livro.

† Caliban é um dos principais antagonistas da peça A Tempestade de William Shakespeare. Ele é o único humano que não foi presenteado com a forma humana sendo referido como uma espécie de monstro.




Leia também:

A desimportância do design

15 de setembro de 2010

Pixotosco para Presidente

Esse projeto artístico genial é uma mistura de bom humor, protesto e política. porém não quero me ater ao motivo das peças existirem, mas a estética que elas carregam.

Pixotosco Presidente

Pixotosco é a alcunha usada por Tony de Marco — um dos grandes nomes do type design e da tipografia brasileira contemporânea — em seus projetos artísticos. pixotosco mistura pixels, type design e fixação na tela, criando composições incomuns e comuns ao mesmo tempo.

Pixotosco para presidente pega os cavaletes com propagandas de candidatos na rua e os devolve com a campanha do Pixotosco.

Pixotosco Federal

A técnica usada é chamada de tape design, feito com fita e depois pintado em cima, uma espécie de stencil invertido. o resultado são letterings geométricos misturando traços da pixação.

Pixotosco Senador

Às vezes carregando técnicas mais antigas como mostra a figura acima que lembra as letras gravadas em pedra, ou as fontes chamadas open face.

Assim como a pixação, eu vejo fortes referências caligráficas, um traço pouco modulado mas rápido e feroz trazendo um chute no saco de propagandas políticas mal feitas e mal resolvidas.

Finalizando, queria que toda a tosquice fosse assim. valeu tio Tony!

28 de abril de 2009

hierarquia da barba

feita pelo david do wondermark a venda no topatoco

2 de abril de 2009

pixação

do blog do myfonts.

2 de março de 2009

primeiro stop motion do tim burton

vi no conector.

18 de fevereiro de 2009

tem gente que pagaria por esse muro


The Afflicted Yard: The Rock from Rickards Bros. on Vimeo. a venda no ebay, esse pedaço de muro com um stencil do banksy, um dos artistas de rua mais bem conceituados no mundo. quem vende é o fotógrafo jamaicano peter dean rickards que além de ter se desentendido com banksy em uma passada na jamaica, revelou sua indentidade para o mundo inteiro.